Missão Pertinente

O Plano Operacional da Missão Pertinente

Estamos conscientes de que os objetivos mais amplos da Missão Pertinente estão muito distante; talvez não sejam sequer alcançados durante o tempo de vida dos fundadores.

Isto porque para se alcançarem efetivamente os objetivos a que nos propomos serão necessárias transformações profundas, que habitualmente não se conseguem alcançar no espaço de uma ou duas gerações.

Contudo, há muito para fazer. Quanto mais cedo começarmos e mais efetivos formos, mais rapidamente serão alcançados os objetivos.

Na conceção do plano operacional estabelecemos uma visão abrangente e plurianual para implantação da associação e dos seus serviços. Esta abrangência permite uma explanação abrangente dos objetivos em diferentes áreas e inspira a construção dos planos anuais.

A atividade da associação distribuir-se-á em diferentes eixos:

  • Investigação, Inovação e Desenvolvimento
  • Comunidade
  • Educação
  • Serviços de Saúde
  • Serviços Sociais
  • Justiça

Investigação, Inovação e Desenvolvimento

O Eixo de Investigação, Inovação e Desenvolvimento da Associação Missão Pertinente atua como elemento de suporte e consultoria, focando-se na produção e divulgação de conhecimento sobre a realidade das Experiências Adversas na Infância (EAI) em Portugal e o seu impacto na saúde, bem-estar e qualidade de vida da população adulta.

Pretende-se deste modo contribuir para o desenho e o desenvolvimento de modelos de intervenção mais eficazes no domínio da infância, juventude e vida adulta de indivíduos em situação de vulnerabilidade no contexto das EAI.

Os objetivos deste eixo assentam em três vetores: CONHECER, PREVENIR, PROMOVER

1 Conhecer a situação de crianças expostas a EAI na realidade portuguesa, com a recolha e organização sistemática da informação relevante disponível, através da integração de um conjunto de dados de caráter qualitativo e quantitativo em áreas direta ou indiretamente relacionadas.

2 Prevenir situações de risco através do desenvolvimento, implementação e estudo de eficácia de modelos de identificação de indicadores de fatores de risco na infância e de vulnerabilidade parental.

3 Promover a inovação ao nível de estratégias de prevenção e de intervenção no desenvolvimento de modelos de gestão articulada entre diferentes instituições e respostas sociais que possam ampliar os resultados.

A operacionalização destes objetivos iniciar-se-á com a criação de um grupo de trabalho, orientado e coordenado pela Prof. Dra. Susana Marinho, e a instituição de uma plataforma de colaboração científica, para a qual serão convidados a participar investigadores de diversas instituições de ensino superior, laboratórios científicos nacionais e internacionais, sociedades científicas, ordens e associações profissionais.

O desenvolvimento da atividade científica poderá assumir diferentes formas, desde projetos de investigação de âmbito académico (mestrado, doutoramento) ou projetos de investigação mais robustos. São desde já identificados temas de particular interesse, nomeadamente, a epidemiologia (com o levantamento e a monitorização de dados sobre a realidade portuguesa), as relações entre EAI e outros fenómenos sociais, estratégias de prevenção, formas de diagnóstico, modalidades de acompanhamento, recursos e abordagens terapêuticas.

Numa primeira fase, pretende-se implementar um projeto de revisão sistemática da literatura de estudos empíricos, nacionais e internacionais, sobre as EAI e modelos de intervenção empiricamente validados, que pretende contribuir para a inovação e desenvolvimento de boas práticas.

Numa perspetiva colaborativa, pretende-se igualmente envolver outras IPSS e os seus técnicos, no desenvolvimento de novas abordagens de gestão integrada das respostas sociais, que possam resultar numa otimização significativa dos recursos.

Espera-se que este trabalho possa resultar, a curto prazo, no desenvolvimento de guias práticos e de formação especializada nas áreas da parentalidade, saúde (medicina, psicologia, etc), educação, intervenção social, etc.

 

Comunidade

A intervenção e participação direta na comunidade assume a maior fatia do nosso projeto.

O objetivo principal do eixo estratégico da comunidade é estimular o envolvimento de diferentes atores sociais, desde entidades e serviços públicos, as Redes Sociais, os centros comunitários, as dioceses, as paróquias, as IPSS, as escolas, as associações da sociedade civil, as famílias e outros grupos, formais ou informais, promovendo uma cultura positiva de afeto, entreajuda e de antiviolência percutora de uma sociedade livre de EAI.

Um segundo objetivo, não menos importante, é a criação de respostas sociais comunitárias que possam responder com celeridade e eficácia às necessidades das crianças jovens e família em situação de risco, bem como garantir o acompanhamento e requalificação de adultos que foram vítimas das EAI e que agora lutam com as suas consequências ao nível da saúde física, emocional e ao nível do comportamento.

Estamos conscientes do momento particular que as economias mundiais atravessam. Os fortes impactos na população portuguesa já se começaram a sentir a diferentes níveis, mas estamos convictos de que se agravarão nos próximos anos, com consequências imprevisíveis também no domínio das experiências adversas na infância.

Os fatores de risco pessoal, familiar e comunitários serão agravados, o que exigirá a todos uma grande agilidade e concertação de esforços para a mitigação dos seus efeitos.

 

Comunicação

Deste modo, torna-se urgente criar uma grande campanha de sensibilização social para as EAI e para as suas consequências imediatas e de longo prazo, bem como esclarecer para os fatores de risco, fatores de proteção e possibilidades de encaminhamento dos casos detectados e identificados. Também se pretende promover a disseminação do conhecimento científico, em linguagem acessível, e das boas práticas identificadas nas diferentes áreas.

Esta campanha, da responsabilidade do nosso gabinete de comunicação, marcará forte presença junto da comunicação social e da nossa rede de parceiros, mas é no mundo digital que deverá centrar a maioria dos seus recursos.

Apostamos fortemente nas redes sociais, mas utilizaremos sobretudo o website como elemento agregador de toda a comunicação.

Nele será publicado conteúdo educacional e científico, serão distribuídos guias práticos e outros recursos para diferentes agentes (país, familiares e amigos, educadores, professores, médicos (de medicina geral e familiar, pediatras, pedopsiquiatras, psiquiatras), psicólogos, assistentes sociais e outras classes profissionais que possam vir a ser identificadas.

Também no site será criada, através de fóruns, uma plataforma de cooperação interpessoal, interprofissional e interinstitucional para partilha de conhecimento, experiências e para proporcionar a reflexão, potenciando a identificação e divulgação das melhores práticas relacionadas com as experiências adversas na infância.

Ainda na área da comunicação, criaremos uma newsletter periódica que possa divulgar as nossas atividades e iniciativas, os avanços científicos, as boas práticas e histórias de sucesso.

 

Eventos

Utilizaremos as ferramentas digitais para promover e realizar palestras, webinários e podcasts convidando especialistas em diferentes matérias.

Presencialmente organizaremos colóquios e jornadas orientadas a conjuntos de profissionais específicos, bem como dinamizaremos palestras de sensibilização abertas à comunidade (com especial incidência na comunidade escolar), nomeadamente para crianças, jovens e pais.

Anualmente, organizamos o Congresso Internacional das experiências adversas na infância, no qual contaremos com a participação de oradores convidados especialistas em todos os eixos de atuação da associação.

 

Formação

No capítulo da formação distinguimos desde logo a formação aberta à comunidade e a formação especializada orientada a profissionais.

Na formação aberta à comunidade desenvolvemos (por meios próprios e/ou através de parceiros) cursos e workshops (online e/ou presenciais) de parentalidade positiva, mindfulness, educação financeira e outros temas de psicoeducação ou desenvolvimento pessoal.

Na formação especializada, recorreremos a empresas certificadas para desenvolver, em conjunto com o nosso grupo de trabalho para a investigação científica, cursos de especialização, desenvolvimento profissional ou pós-graduações em diferentes temáticas e destinadas a diferentes grupos profissionais, tais como médicos, psicólogos, educadores, professores, assistentes sociais, etc.

Intervenção e respostas sociais

Apostamos na celebração de protocolos de cooperação para os seguintes programas e respostas sociais:

Estes programas públicos garantem o financiamento de boa parte destas respostas sociais aos nossos públicos alvo preferenciais, além de fornecerem orientações e acompanhamento para a sua execução.

Para a elaboração de candidaturas a estes programas, à medida que forem estando disponíveis, necessitamos de garantir a aquisição dos requisitos e a criação de uma equipa técnica para a execução e acompanhamento das candidaturas. Essa equipa poderá ser própria ou esse serviço poderá ser garantido por consultores especializados.

Para a execução destes programas, além de garantir o rigoroso cumprimento de todos os pressupostos contratuais, contaremos com o acompanhamento do nosso grupo de investigação científica no sentido de monitorizar e optimizar o desempenho e a produção de resultados efetivos.

 

Outras respostas sociais

Além das respostas previstas nos programas constantes do ponto anterior, poderemos garantir serviços complementares, tais como:

Serviços clínicos

Que garantam respostas em diferentes áreas saúde, tais como medicina, pediatria, psiquiatria, psicologia, psicoterapia, neuropsicologia, terapia familiar, biofeedback, nutrição, grupos terapêuticos

Serviços jurídicos

Que prestem aconselhamento na resolução de conflitos, divórcios, regulação do poder parental, endividamento, acesso a apoios sociais, etc)

Serviços de coaching e mentoria

Acompanhamento e reforço positivo nos processos de mudança e de reestruturação de vida

Apoio na procura de emprego

Elaboração de CVs, formação para a procura ativa, orientação para as entrevistas etc)

Rede de Voluntariado “Adultos de Confiança”

Em numerosos estudos científicos é referido que, em muitas situações, bastaria que as crianças ou jovens vítimas de EAI (ou expostas aos fatores de risco) pudessem contar com a presença assídua de um adulto em quem pudessem confiar para que as consequências fossem significativamente reduzidas.

Face a isto, pretendemos criar uma rede de voluntários, pertencentes à família e/ou à comunidade , que possam intervir de forma precoce e continuada, exercendo um papel de mentoria, para que a criança ou jovem em risco possa aprender a criar vínculos seguros e confiáveis e que possa ter sempre com quem contar.

Naturalmente que isto implicará um processo de seleção e formação dos candidatos, além de um acompanhamento e suporte técnico profissional e especializado, que deverá ser garantido pela equipa técnica da associação.

Fundo Social Local

Criação de um fundo social local, para o qual poderão contribuir instituições, empresas e particulares, com o objetivo de criar disponibilidade financeira para intervenção imediata em situações de urgência ou quando o apoio necessário não puder ser garantido por fundos públicos.

 

Educação

Pretende-se estimular a cooperação próxima com com as direções, psicólogos escolares, professores, educadores, mediadores escolares auxiliares e alunos, no sentido de potenciar uma cultura de não-violência, bem como dotar todos os agentes de conhecimento especializado para reconhecer as EAI, diminuir os fatores de risco e aumentar os fatores de proteção além de assegurar os meios para intervenção imediata e encaminhamento das situações que despertam preocupação.

Poderemos promover formação especializada, de desenvolvimento profissional e/ou pós-graduações a professores, educadores e profissionais escolares no âmbito das EAI.

Também é fundamental garantir a interação profissional de professores, educadores, psicólogos, mediadores escolares e outros técnicos, através da nossa plataforma e através da organização de Jornadas e Colóquios orientados especificamente para estas categorias profissionais.

Deveremos desenvolver ações de sensibilização junto da comunidade escolar, especialmente orientadas aos pais e aos alunos. Também poderemos desenvolver um modelo de grupos de autoajuda para pais.

 

Serviços de Saúde

O grande objetivo deste eixo é sensibilizar os serviços de saúde para os riscos e consequências das EAI, dotando-os de ferramentas de diagnóstico precoce, oferecendo um questionário de triagem (acompanhado de um manual e protocolo para facilitar o diagnóstico), coordenação de cuidados e encaminhamento para tratamento multidisciplinar (Psicoterapia, Psiquiatria e Biofeedback, etc) à semelhança do que foi feito nos EUA pelo Center for Youth Wellness.

Também pretendemos contribuir para o desenvolvimento de uma rede nacional de médicos pediatras (para incluírem as EAIs nas suas práticas), que poderão tornar-se parceiros de excelência para intervir na agenda política a nível local e nacional (para promover a triagem precoce de adversidades e incorporar cuidados informados sobre o trauma infantil). Este movimento poderá fazer parte da nossa plataforma de colaboração e de reflexão interprofissional.

A aproximação e o envolvimento dos profissionais da área da saúde, também é fundamental para a investigação de novas abordagens e metodologias.

Em colaboração com o nosso grupo de investigação científica e com entidades formadoras certificadas, também podermos desenvolver eventos de sensibilização e formação especializada e/ou pós graduações para a intervenção nas EAI, na área do desenvolvimento neurológico ou outras condições associadas, destinadas a médicos de clínica geral e familiar, pediatras, pedopsiquiatras, psiquiatras e psicólogos.

 

Serviços Sociais

No eixo estratégico dedicado aos serviços sociais, o grande objetivo é estreitar laços com as equipas técnicas das diferentes respostas sociais, fundamentalmente as que mantém intervenção direta com a família e a infância, no sentido de sensibilizar para a importância de criar redes concertadas no sentido de mitigar os fatores de risco, estimular os fatores de proteção e intervir precocemente de forma musculada nas EAI quando são detectadas na infância e na juventude, sem esquecer a óbvia necessidade de requalificar os adultos que passaram por essas experiências.

Através do nosso programa de investigação, pretendemos desenvolver modelos integrados de gestão de diferentes respostas sociais que incluam, além do apoio à criança, jovem e à sua família, actividades concretas que se possam replicar no sentido de fomentar a integração social e a saudável interação intergeracional, referida como um dos principais fatores de proteção. Além disso, através da nossa plataforma de colaboração interinstitucional e interprofissional, pretende-se estimular a reflexão, a partilha de experiências e de boas práticas, multiplicar as possibilidades de parcerias, a melhoria da referenciação e do trabalho em rede.

Igualmente importante será a realização de Jornadas e de colóquios entre os profissionais que trabalham nesta área em diferentes instituições (IPSS’s, escolas, Câmaras Municipais, hospitais, etc) e formações de especialização e/ou pós graduações destinadas especificamente a estas categorias profissionais e a este setor de atividade.

 

Justiça

O objetivo é sensibilizar os legisladores, magistrados, ministério público, CPCJ´s e EMAT´s e outras entidades para a importância de mitigar os efeitos das EAI, envolvendo-os na criação de estratégias de ação em articulação com toda a comunidade.

Estamos especialmente empenhados em dialogar com estas instituições no sentido de desenvolver formas de humanizar o contacto das crianças, jovens e famílias com a justiça, garantindo-lhes um acompanhamento permanente.

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A Estratégia da Missão Pertinente

A Missão Pertinente – Associação de Desenvolvimento Humano foi constituída no Porto em 9 de Setembro de 2022 com o propósito de prevenir, resgatar e requalificar as experiências adversas na infância (EAI).

A designação “MIssão Pertinente” constava da lista de nomes pré-aprovados do IRN e, francamente, não foi a nossa primeira escolha.

No entanto, sob o ponto de vista de semântica, o nome não poderia ser mais apropriado para o desafio a que nos propomos.

Segundo a infopédia, missão significa, entre outras coisas “incumbência, encargo”, “comissão diplomática” e no sentido figurado “função nobre a cumprir”. Pertinente pode significar “que vem a propósito, apropriado, adequado, relevante, importante”.

A Missão Pertinente incumbe-se portanto de uma função nobre a cumprir, que é relevante, importante e que vem cada vez mais a propósito.

Temos consciência de que para resolver as causas e as consequências das EAI não basta boa vontade. A solução depende em larga medida de alterações culturais profundas no seio que não são fáceis de alcançar e que constitui um desafio para várias gerações.

Além disso, implica um enorme envolvimento de toda a comunidade e cooperação ativa de diferentes sectores, desde logo a ação social, a educação, a saúde e a justiça. Nesses sectores coabitam milhões de pessoas e milhares de instituições.

 

Uma economia de Missão é Pertinente

Apostamos claramente na inovação e por isso definimos como estratégica a estreita colaboração com todas as áreas, mas o ponto de partida – ou pelo menos de ligação – terá que ser a ciência e a investigação que asseguram um suporte sólido, baseado na evidência, fornecendo conhecimento especializado, metodologia e mensurabilidade às ações que nos propomos a desenvolver.

Estamos fortemente inspirados pelo conceito de “economia de missão” proposto pela economista italiana Mariana Mazzucato, atualmente docente no University College London, onde também fundou e dirige o Institute for Innovation and Public Purpose. É consultora de governantes em todo o mundo, a quem ensina a promover a inovação de maneira a produzir um crescimento mais inclusivo e sustentável.

Tom Cobasi, comissário no Institute of Public Policy Research Commission on Health and Prosperity em Londres, escreve no jornal The Guardian, a propósito no trabalho da Mariana, que “as sociedades devem rejeitar as ideologias estafadas e adotar a abordagem política que levou astronautas à Lua. Quando estabelecem missões específicas e o poder do Estado é exercido de forma pragmática, as sociedades podem tornar-se mais prósperas e equitativas.”

Este princípio de “economia de missão” anima o nosso espírito que se suporta fortemente pela busca da inovação, que se reconhece pela ambição e a imaginação, fazendo uso de um pensamento colaborativo para redefinir os parâmetros da sociedade.

A associação iniciará a sua atividade social na comunidade local onde está inserida, mas tem os olhos postos no país e no mundo. O princípio é “ação local, estratégia nacional, ambição global”.

 

Visão

Criar uma rede ativa de cooperação científica, interpessoal, interprofissional e interinstitucional para envolver toda a comunidade na prevenção das experiências adversas na infância, bem como mitigar os seus efeitos ao longo da vida nos domínios da saúde física, mental e emocional, educação e integração social.

 

Valores

Justiça Social – Cooperação – Tolerância – Empatia – Responsabilidade Social – Autenticidade – Bem estar – Bondade – Conhecimento – Solidariedade – Inovação

 

Missão

Estimular a responsabilidade e inovação social para a cooperação na produção e difusão de conhecimento e dinamização de atividades que promovam a empatia, a tolerância, a bondade e a solidariedade que resultará na autenticidade individual, na justiça social e no bem estar coletivo, sobretudo para a prevenção e mitigação de efeitos das experiências adversas na infância ao longo da vida.

 

Mensagem

“Presta bem atenção a este texto. Ele vai transmitir-te informações que talvez ainda não saibas. Ou que talvez até já saibas,  mas que ainda não percebeste que te afetam a ti, diretamente. Afeta-te a ti, aos teus e às pessoas de quem mais gostas.

O tema é grave, mas ainda assim há boas notícias.

Vincent Felitti, médico norte americano, descobriu por acaso, uma relação direta entre as experiências adversas na infância e muitos problemas da vida dos adultos. O tema rapidamente apaixonou toda a comunidade científica.

O que eles perceberam muito claramente foi que o estresse tóxico durante a infância é a causa da maioria dos problemas da sociedade. Doenças físicas e mentais, depressão, ansiedade, relacionamentos abusivos, hábitos pouco saudáveis, insucesso escolar e profissional, vícios, dependências de substâncias, violência e criminalidade têm uma causa comum e está identificada. As estatísticas dizem que mais de 60% das pessoas foram vítimas; mais de 16% são casos graves.

Crianças que foram ignoradas, abandonadas, abusadas, negligenciadas física ou emocionalmente, que convivem com a pobreza, com a doença mental ou com a violência estão praticamente condenadas a uma vida de sofrimento. 

E, em média, morrerão 20 anos mais cedo. 

Serão provavelmente adultos inseguros, doentes, sem estrutura, sem referências. Terão um comportamento errante. Serão julgados, abandonados, humilhados durante todas as suas vidas. Causarão as mesmas experiências aos seus filhos e o ciclo continuará perpetuamente. 

O problema é grave e afeta pessoas de todas as classes sociais e praticamente todas as famílias. Vivemos numa sociedade acelerada que facilmente passa o seu stress às crianças. As consequências são para toda a vida. 

Precisamos ficar atentos. Precisamos parar este ciclo. Precisamos resgatar as crianças e jovens que neste momento estão a sofrer este problema. Temos obrigação moral de requalificar os adultos que passaram por estas experiências adversas na infância. 

A Missão Pertinente é uma associação sem fins lucrativos que se propõe a criar um movimento social para travar este problema. Estamos a juntar cientistas, técnicos, pais e toda a comunidade para criar e implementar estratégias sólidas para travar as experiências adversas na infância e as suas consequências. O tema envolve as áreas social, da saúde, da educação e da vida comunitária. Há muito para fazer. 

É uma longa missão, mas é pertinente. Podemos fazer este caminho: da adversidade à resiliência.

Tu podes ajudar-nos a fazer a diferença. Podes tornar-te sócio. Podes tornar-te voluntário. Podes fazer-nos chegar o teu donativo. Podes passar a palavra aos teus amigos. 

Precisamos de ti. Junta-te a nós. Vamos fazer a diferença. Vamos construir um mundo mais acolhedor e mais justo.

Por ti, pelos teus, por nós, por todos.”

 

* adaptado do texto do vídeo de apresentação da Missão Pertinente “Da adversidade à resiliência” publicado em Setembro de 2022 (disponível neste link)

Objetivos

A associação tem como fim a prevenção, resgate e requalificação das experiências adversas na infância. Para isso, estabelecemos os seguintes

Objetivos principais:

  1. Proporcionar acompanhamento individual de crianças e jovens em risco, garantindo criação de vínculos seguros, que potenciem o crescimento e desenvolvimento saudável, ao nível físico, mental, emocional e social, bem como garantam a aquisição de competências sociais;
  2. Apoiar as famílias mais vulneráveis proporcionando aconselhamento, orientação, gestão de conflitos, psicoeducação, formação profissional e/ou de gestão financeira familiar, apoio na procura e manutenção de emprego, suporte para o tratamento de problemas mentais e dependências, apoio jurídico e promoção da integração social e comunitária;
  3. Dinamizar atividades comunitárias que potenciem o contacto intergeracional num contexto de confiança e de cooperação;
  4. Acompanhar e intervir para promover a saúde e o bem-estar sócio-emocional de crianças, jovens e adultos expostos a experiências adversas na infância, nomeadamente através da orientação e da disponibilização de serviços especializados (ao nível da saúde e da formação/desenvolvimento pessoal) e da promoção de grupos de entreajuda e de suporte social;
  5. Sensibilizar a comunidade para as experiências adversas na infância – causas e consequências, fatores de risco e de proteção e estratégias de mitigação;
  6. Criar e promover mecanismos de identificação precoce junto da comunidade, serviços de saúde, serviços sociais e comunidade educativa, bem como o respectivo encaminhamento;
  7. Criar e manter plataformas de cooperação interpessoal, interprofissional e interinstitucional para partilha de conhecimento, experiências e para proporcionar a reflexão, potenciando a identificação e divulgação das melhores práticas relacionadas com as experiências adversas na infância;
  8. Estimular a criação de uma rede de voluntariado “adultos de confiança”, que possa assegurar a presença, acompanhamento e mentoria das crianças e jovens em risco bem como garantir a sua formação adequada e suporte técnico especializado;
  9. Formar pais para o exercício da parentalidade positiva

 

Objetivos secundários

  1. Estreitar relações de parceria com o setor público (decisores políticos, serviços de saúde, serviços sociais e comunidade educativa), privado e cooperativo para a criação de respostas no âmbito da responsabilidade e sustentabilidade social que garantam a diminuição progressiva dos impactos das experiências adversas na infância;
  2. Estreitar relações com as universidades e sociedades científicas no sentido de estimular a investigação, a inovação e a produção de conhecimento, bem como a sua tradução em linguagem corrente para se tornar acessível a toda a comunidade;
  3. Observação, investigação e monitorização da realidade portuguesa, ao nível das experiências adversas na infância, identificando e promovendo as melhores práticas para mitigação das causas e das consequências;
  4. Desenvolver e aplicar modelos de intervenção comunitária e individual, que envolva ativamente as famílias, potenciando a articulação e colaboração entre diferentes entidades com o objetivo de promover a integração e maximização dos resultados das respostas sociais;
  5. Educação e formação especializada de profissionais em diferentes sectores;
  6. Estimular a psicoeducação do público em geral;
  7. Capacitar e formar profissionais e a comunidade na área da infância através de ações de formação e supervisão com base em evidência científica;
  8. Dinamizar ou apoiar quaisquer outras iniciativas julgadas necessárias ou convenientes para prevenir, resgatar e requalificar as experiências adversas na infância.

 

Atividades sociais

Para realização dos seus objetivos, a associação propõe-se criar e manter as seguintes respostas sociais, em protocolo com o ISS, com as entidades competentes ou em parceria com outras instituições:

  1. Serviços de Atendimento e Acompanhamento Social;
  2. Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental;
  3. Intervenção Precoce na Infância;
  4. Equipa de Rua de Apoio a Crianças e Jovens;
  5. Serviço de atendimento e acompanhamento social;
  6. Grupos de autoajuda;
  7. Centro Comunitário;
  8. Centro de férias e lazer;
  9. Centro de apoio à vida;
  10. Comunidade de Inserção;
  11. Ajuda alimentar;
  12. Equipa de intervenção direta (toxicodependência);
  13. Centro de atendimento a vítimas de violência doméstica.

 

Atividades associativas

A associação propõe-se ainda dinamizar as seguintes atividades associativas:

  1. Criar um gabinete de intervenção pluridisciplinar que garanta apoio e acompanhamento individualizado a crianças, jovens, adultos e famílias perante as experiências adversas na infância e as suas consequências, com particular ênfase nas situações de risco mais elevado.
  2. Criar rede de voluntários “adultos de confiança”, bem como garantir a sua formação, integração e suporte técnico;
  3. Criar grupos de investigação, inovação e desenvolvimento envolvendo investigadores de diversas instituições de ensino superior, laboratórios científicos nacionais e internacionais, sociedades científicas, ordens e associações profissionais;
  4. Dinamizar grupos e espaços de partilha e reflexão para particulares e profissionais;
  5. Constituir conselhos consultivos para as áreas da ciência, educação, saúde, intervenção social e justiça;
  6. Dinamizar formação especializada orientada a particulares (crianças, jovens e adultos) e a profissionais;
  7. Organização de campanhas de sensibilização orientadas ao grande público e/ou a públicos específicos;
  8. Disponibilização de informação específica sobre a temática das EAI no site e em guias práticos orientados a diferentes públicos;
  9. Dinamizar eventos, presenciais e/ou online, para sensibilizar para a temática das EAI, possibilitando o contacto do público com profissionais de diferentes áreas;
  10. Dinamizar eventos, presenciais e online, que promovam o contacto intergeracional e a integração comunitária, considerados fatores de proteção nas EAI.

 

Atividades instrumentais

A associação poderá ainda desenvolver diversas atividades instrumentais para suportar a sua sustentabilidade e para potenciar o seu desenvolvimento e especialização

  1. Organização de feiras, congressos, colóquios, jornadas e outras iniciativas de caráter social ou científico, com vista à divulgação do conhecimento e criação de redes de contacto e de suporte à prevenção e intervenção nas EAI
  2. Edição de publicações, em diferentes suportes, que de alguma forma possam contribuir para a consciencialização, prevenção, intervenção ou simples transmissão de conhecimento no que concerne às EAI e a outras temáticas relacionadas
  3. Criação, disponibilização ou recomendação a toda a comunidade de serviços clínicos especializados na mitigação dos efeitos das EAI, tais como medicina geral, nutrição, psiquiatria, pedopsiquiatria, pediatria (nomeadamente pediatria do desenvolvimento), psicologia, psicoterapia, neurologia, biofeedback, terapia familiar, entre outros que se venham a revelar-se necessários ou terapeuticamente convenientes.
  4. Disponibilização ou recomendação de serviços de aconselhamento e orientação pessoal, nomeadamente de coaching, apoio jurídico, mentoria, etc.
  5. Disponibilização ou recomendação de formações na área do desenvolvimento pessoal, inteligência emocional, coaching, parentalidade, meditação ou qualquer outra técnica, com especial incidência em promover a geração ou fortalecimento de resiliência;
  6. disponibilização ou recomendação de formações avançadas, nomeadamente especializações, pós-graduações, etc.

 

 

Posicionamento

As experiências adversas na infância existem e afetam 60% da sociedade ( +/- 16% são casos graves), distribuídas por todas as classes.

As consequências são inúmeras, imprevisíveis e distribuídas por todas as áreas da vida do indivíduo e da comunidade, nomeadamente:

  • Problemas de saúde física e mental;
  • Diminuição das hipóteses de evolução a nível pessoal e profissional (falta de rendimento, produtividade)
  • Comportamentos desviantes (droga, álcool, jogo, instabilidade relacional, violência e criminalidade)
  • Morte prematura
  • Risco agravado de Suicídio

O prejuízo para o indivíduo é gigantesco e incalculável, mas pode ser prevenido com estratégias de sensibilização e acompanhamento precoce.

Os benefícios de uma intervenção preventiva  são inúmeros, quer ao nível económico, da saúde, do bem estar individual e social.

Acreditamos que ao invés de remediar as consequências a intervenção sobre as causas será um investimento com enorme retorno a muito curto prazo.

Queremos posicionar-nos como especialistas na temática das experiências adversas na infância, percutores de novas estratégias de prevenção e de intervenção, promotores da investigação e divulgação do tema e um elo de ligação entre os diferentes atores sociais que possam ter um papel de alguma forma determinante nesta área.

 

Eixos de ação

O problema das experiências adversas na infância é transversal a toda a sociedade. Para poder criar uma estratégia concertada, precisaremos de mobilizar esforços em diferentes eixos.

 

Investigação, inovação e desenvolvimento

Promovendo a criação e divulgação de conhecimento, uma observação e monitorização cuidada e continuada da realidade portuguesa, a inovação ao nível de estratégias de prevenção e de intervenção além do desenvolvimento de modelos de gestão articulada entre diferentes instituições e respostas sociais que possam multiplicar os resultados

 

Comunidade

Estimulando o envolvimento de diferentes atores sociais, desde entidades públicas, as Redes Sociais, os centros comunitários, as dioceses, as IPSS, as associações da sociedade civil, as famílias e outros grupos, formais ou informais, promovendo uma cultura positiva de afeto, entreajuda e de antiviolência percutora de uma sociedade livre de EAI. Um segundo objetivo, não menos importante, é a criação de respostas sociais comunitárias que possam responder com celeridade e eficácia às necessidades das crianças jovens e família em situação de risco, bem como garantir o acompanhamento e requalificação de adultos que foram vítimas das EAI e que agora lutam com as suas consequências ao nível da saúde física, emocional e ao nível do comportamento.

 

Educação

Cooperando com as direções, psicólogos escolares, professores, auxiliares e alunos, no sentido de potenciar uma cultura de não-violência, bem como dotar todos os agentes de conhecimento especializado para reconhecer as EAI, diminuir os fatores de risco e aumentar os fatores de proteção além de assegurar os meios para intervenção imediata e encaminhamento das situações que despertam preocupação

 

Serviços de Saúde

Sensibilizando os serviços de saúde para os riscos e consequências das EAI e dotando-os de ferramentas de diagnóstico precoce, oferecendo um questionário de triagem (acompanhado de um manual e protocolo para facilitar o diagnóstico), coordenação de cuidados e encaminhamento para tratamento multidisciplinar (Psicoterapia, Psiquiatria e Biofeedback, etc)

 

Serviços Sociais

Estreitando laços com as equipas técnicas das diferentes respostas sociais, fundamentalmente as que mantém intervenção direta com a família e a infância, no sentido de sensibilizar para a importância de criar redes concertadas no sentido de mitigar os fatores de risco, estimular os fatores de proteção e intervir precocemente de forma musculada nas EAI quando são detectadas na infância e na juventude , sem esquecer a óbvia necessidade de requalificar os adultos que passaram por essas experiências.

 

Justiça

Sensibilizando os legisladores, magistrados, ministério público, CPCJ´s e EMAT´s e outras entidades para a importância de mitigar os efeitos das EAI, envolvendo-os na criação de estratégias de ação em articulação com toda a comunidade

 

Âmbito geográfico de ação

Ação local, estratégia nacional, ambição global

A Missão Pertinente pretende oferecer os seus serviços à comunidade onde está inserida e esse é o seu foco principal, até porque essa proximidade com os destinatários finais é essencial para o desenvolvimento de todo o projeto. Mas a associação assume a sua determinação em liderar uma nova estratégia nacional de prevenção e de intervenção nas experiências adversas na infância envolvendo de forma pró-ativa toda a sociedade. A ambição é global, no sentido de que se torna evidente a criação de parcerias com instituições de países mais desenvolvidos, onde existe maior maturidade sobre o tema das EAI, além de que pretendemos estimular a intervenção em países em vias de desenvolvimento, com especial atenção nos PALOP.

 

Destinatários

  • Crianças e jovens referenciados pelas diferentes entidades como possíveis vítimas de EAI
  • Famílias das crianças e dos jovens referenciados
  • Crianças e jovens em situação de risco familiar ou comunitário, nomeadamente em situação de pobreza, violência, exclusão ou qualquer outra situação prevista no ponto \”Fatores de risco individuais e familiares\” e/ou no ponto \”Fatores de risco da comunidade\”
  • Comunidades de risco elevado, em parceria/cooperação com diferentes instituições com operações no terreno
  • Adultos que foram vítimas de EAI
  • Dependentes de substâncias, sobretudo jovens e adolescentes.
  • Reclusos e ex-reclusos, bem como as suas famílias

 

Propostas de Valor

  • Sensibilização de toda a sociedade nacional para as EAI
  • Criação de estratégias e modelos de prevenção e de intervenção
  • Criação de plataformas de colaboração e cooperação interpessoal, interprofissional e interinstitucional
  • Mitigação dos fatores de risco
  • Estimulação dos fatores de proteção
  • Apoio multidisciplinar a vítimas de EAI e de violência (crianças, jovens e adultos)
  • Apoio e acompanhamento das famílias, sobretudo as que se encontram em situação de risco
  • Formação de profissionais (saúde, educação, social, justiça e intervenção comunitária)
  • Formação de pais para a parentalidade positiva
  • Promoção do desenvolvimento, inovação e investigação (epidemiologia, diagnóstico, modelos de prevenção e de intervenção, abordagens sociais e/ou terapêuticas etc )

Canais de comunicação

  • Comunicação institucional para apresentação do projeto e estabelecimento de parcerias
  • Comunicação social, através de notas à imprensa, divulgação de conteúdos especializados, participação em diferentes programas, estimulação de reportagens etc
  • Redes sociais
  • Site (para informação social e científica além da criação de ferramentas de colaboração e cooperação interpessoal, interprofissional e interinstitucional)
  • Tertúlias, palestras (online e offline) podcasts, webinários
  • Dinamização de diferentes atividades de sensibilização e ou de formação
  • Participação em congressos e outros eventos;

 

Atividades Chave

  • Apoio multidimensional e pluridisciplinar a crianças, jovens, famílias e comunidades em risco, nomeadamente criando as respostas sociais previstas no ponto “Programas e respostas sociais” nos termos do Plano Estratégico
  • Dinamização de campanhas de sensibilização para EAI, bem como para os riscos e consequências associadas
  • Promoção de investigação científica nomeadamente no estudo e acompanhamento da realidade portuguesa e promoção da inovação no desenvolvimento de novas formas de prevenção e de mitigação das consequências das EAI além de novas abordagens na gestão das respostas sociais
  • Criação de redes de parcerias interpessoais, interprofissionais e interinstitucionais no sentido de aumentar a sensibilização, difundir conhecimento especializado e criar espaços de reflexão que possam inspirar mudanças na abordagem das EAI

 

Recursos Chave

  • Meios financeiros para os investimentos iniciais (espaço, equipamentos etc)
  • Espaço para alojar as equipas técnicas e de investigação
  • Espaços de atendimento e para dinamização de atividades
  • Plataformas de cooperação (fóruns online) interpessoais, interprofissionais e interinstitucionais
  • Rede de parcerias
  • Técnicos especializados

 

Equipa e estrutura orgânica

Estamos numa fase inicial, ainda sem recursos e sem fontes de recursos significativas, pelo que a equipa inicial será baseada sobretudo nos membros da direção e de outros órgãos da associação e no recurso ao voluntariado.

Alguns fornecedores de serviços especializados foram ou  serão contratados no sentido de suprir necessidades específicas e imediatas.

A contratação de colaboradores representará e acompanhará o crescimento da associação e  será possível à medida que formos mobilizando os recursos necessários (financeiros, instalações, equipamentos, etc).

Nesta fase inicial, estabelecemos o seguinte organigrama funcional, que tem em consideração as prioridades estratégicas de curto prazo.

 

Organigrama funcional

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Os pilares iniciais da nossa equipa

 

O presidente da Direção, Emanuel Almeida, é mentor, consultor e empreendedor digital e assegurará a coordenação estratégica entre os diferentes setores da Associação, bem como a sua representação.

Manuela Cardoso, Vice-Presidente da Direção é jurista, com ampla experiência na coordenação de projetos e de equipas, assegurará a Organização Interna, nomeadamente coordenando e supervisionando as diferentes comissões e grupos de trabalho em regime de voluntariado.

Celeste Roseiro é socióloga e Vice-Presidente da Direção, atualmente diretora técnica de uma IPSS assegurará a coordenação técnica na criação de respostas sociais e as relações externas, nomeadamente com o estabelecimento de parcerias institucionais com vista ao estabelecimento de protocolos de cooperação.

Jorge Barbosa, Secretário da Direção, é engenheiro informático e trabalha com desenvolvimento de software. Na nossa equipa assegura a coordenação da área de tecnologias de informação e da comunicação, assegurando a coordenação de esforços entre profissionais especializados contratados em regime de freelancing e voluntários em diferentes áreas.

Fátima Ferreira, Tesoureira da Direção é contabilista e possui vasta experiência na coordenação de voluntariado social em outras instituições. Assume na nossa equipa a responsabilidade pela direção administrativa e financeira, com o suporte do gabinete de contabilidade. Nesta pasta inclui-se ainda a coordenação das estratégias de financiamento, nomeadamente recorrendo ao crowdfunding, foundraising e mecenato.

Susana Marinho, Presidente da Assembleia Geral, é Psicóloga doutorada em Psicologia da Educação, membro efetivo da OPP, com especialidade em Psicologia da Educação, com intervenção e investigação na área da infância e da parentalidade, além de ser professora universitária. Assume na nossa equipa a coordenação de toda a área científica e de investigação, nomeadamente através da liderança do eixo de investigação, inovação e desenvolvimento, tendo já iniciado o “recrutamento” de voluntários para a sua equipa.

Vários outros membros dos órgãos sociais e sócios da associação estão já envolvidos e empenhados em diferentes projetos, seja a organização do Congresso, a criação de bases de dados de contactos, a revisão de artigos científicos, o levantamento de boas práticas, a produção de conteúdos, a divulgação, etc.

Estamos orgulhosos da equipa que já constituímos, das pessoas que já mobilizamos e gratos por todas as reflexões, projetos e ações já produzidas, apesar de ter passado muito pouco tempo desde a fundação da associação.

Estamos porém conscientes da necessidade de crescer em termos de recursos humanos, seja pela contratação de pessoal especializado, seja pelo envolvimento de um número cada vez maior de voluntários, seja pelo estabelecimento de parcerias, nomeadamente para prestação de serviços.

 

Capacitação de dirigentes

Os desafios do empreendedorismo social exigem cada vez mais competências aos seus promotores. Por isso, consideramos fundamental lançar um plano interno de capacitação de dirigentes, destinado não apenas aos corpos sociais em exercício, mas também aos colaboradores, aos líderes dos grupos de trabalho que viermos a mobilizar, aos sócios e voluntários que se demonstrem mais interessados em prosseguir a participação na vida associativa.

Isto é sobretudo importante porque é consciência plena dos elementos da Direção que uma das suas primeiras obrigações morais é garantir a sua própria sucessão.

Procuramos sobretudo formação ao nível do empreendedorismo social, digital e tecnológico, inovação, gestão de candidaturas, gestão de projetos, liderança,  comunicação e outros temas tipicamente frequentados pelos gestores.

Para implementar este plano, estaremos atentos a oportunidades de formação promovidas pelos nossos parceiros e por diferentes entidades como o CIS Porto, a Geofundos, a CNIS, o IES – Social Business School e outras entidades com oferta relevante.

 

Recrutamento

Contamos que seja possível, no último semestre do ano 2023, iniciar o recrutamento da equipa técnica, iniciando pela contratação de uma pessoa capaz de assumir a direção técnica da associação.

O perfil do pessoal a recrutar será fruto da cuidadosa análise de funções e de responsabilidades.  O processo de recrutamento poderá ser conduzido por uma entidade externa, embora a decisão de contratação seja uma responsabilidade exclusiva da Direção.

 

Integração de estagiários

Pretendemos abrir a nossa equipa à participação de estagiários e por isso, mal tenhamos estrutura para tal, disponibilizamos vagas para realização de estágios curriculares e profissionais.

Contamos que no último trimestre do ano 2023 estejamos em condições para admitir 2 estagiários profissionais, sendo que um deles deve destinar-se à área social e um outro à área da investigação, inovação e desenvolvimento.

Procuramos preferencialmente acolher estagiários altamente qualificados, nomeadamente que tenham finalizado mestrado ou doutoramento.

 

Voluntariado

Faz parte da nossa estratégia envolver, sempre que possível, o máximo de pessoas possível nas tarefas e na vida quotidiana da associação, isto porque entendemos que uma associação não pode ser um mero papel institucional, mas deve ser um órgão mobilizador de pessoas.

Por isso, já procedemos ao recrutamento de vários voluntários para diferentes áreas e pretendemos continuar a seguir esta estratégia continuamente.

Comprometemo-nos a criar, também aos nossos voluntários, um conjunto de experiências positivas.

 

 

Balanced Scorecard

O quadro Balanced Scorecard indica o balanceamento estratégico entre diferentes áreas da organização fundamentais, sobretudo na fase da implantação da Associação.

 

Financeira

Relações externas

criação ativa de valor acrescentado

 

  1. Inscrição e quotizações de sócios
  2. Donativos de particulares
  3. Crowdfunding
  4. Fundraising
  5. Receitas de atividades
  6. Patrocínios e apoios de entidades privadas
  7. Investidores sociais e mecenas
  8. Apoios de fundações
  9. Subsídios e apoios de entidades públicas
  10. Apoios à investigação
  11. Prémios de investigação e/ou inovação

 

 

 

criar um movimento social em todas as áreas

 

  1. Destinatários das respostas sociais
  2. Instituições públicas (ministérios, secretarias de estado e outras entidades públicas e/ou governamentais)
  3. Órgãos municipais (câmaras, juntas de freguesia, Rede Social)
  4. Rede Social, IPSS´s, Fundações e Associações da sociedade civil
  5. Sindicatos (áreas da saúde, educação e ciências sociais)
  6. Ordens profissionais (Médicos, Psicólogos, etc)
  7. Escolas públicas e privadas, de todos os graus de ensino
  8. Associações Juvenis
  9. Catequistas
  10. Instituições de ensino superior, sociedades científicas, investigadores nas áreas da saúde, educação e ciências sociais
  11. Estudantes do ensino superior
  12. Pais e associações de pais
  13. Centros de saúde, Hospitais com serviço de pedo-psiquiatria, clínicas privadas)
  14. Órgãos de comunicação social
  15. Figuras públicas (embaixadores)

Processos Internos

Conhecimento e aprendizagem

Mínimo esforço, máximo impacto

 

  1. Utilização de ferramentas e processos avançados de gestão (Agile, OKR, automação, CRM)
  2. simplificação de processos
  3. criação de grupos de trabalho
  4. monitorização de indicadores de gestão (kpi’s)
  5. promover a iniciativa e a autonomia
  6. orientação ao projeto e aos objetivos
  7. utilização do site ferramenta base
  8. comunicação com proximidade e envolvência
  9. recurso a voluntariado
  10. avaliação regular e melhoria contínua
Notoriedade pela inovação e pela tradução do conhecimento

 

  1. abordagem positivista ( com base em evidências)
  2. cooperação com comunidade científica
  3. cooperação com técnicos
  4. identificação de boas práticas
  5. desenvolvimento de programas de investigação orientado a soluções práticas
  6. promover espaços de partilha e reflexão
  7. compilação de informação e manuais para grupos de profissionais
  8. desenvolvimento de modelos de intervenção: atividades, palestras, tertúlias, etc
  9. promoção de formação especializada por meios próprios ou por cooperação com entidades formadoras
  10. colaboração com instituições de ensino superior para estimular investigação autónoma (teses de mestrado, doutoramento etc) e para compilar informação

 

 

A Estratégia da Missão Pertinente Consulte Mais informação "

As Experiências Adversas na Infância (EAI)

O tema é tão fascinante como complexo. Numerosas evidências científicas demonstram a relação direta entre as EAI e grande parte dos problemas sociais; problemas de saúde física e mental, baixo nível de desempenho escolar e profissional, pobreza, diminuição das hipóteses de evolução a nível pessoal e profissional (falta de rendimento, produtividade), comportamentos desviantes (dependência de substâncias, álcool, jogo, instabilidade relacional, relações abusivas, conflitualidade, violência e criminalidade), risco agravado de suicidio e até morte prematura.

Sentimos que está mais do que no momento de abordar as questões sociais de forma abrangente e integrada, promovendo uma ação pluridisciplinar direta, articulada e musculada sobre as causas, vencendo o limite paradigmático da mera gestão das consequências.

A causa transversal da maioria dos problemas sociais

Acreditamos que as EAI são a real causa da esmagadora maioria dos problemas sociais e por isso nos vemos imbuídos de um sentimento de urgência para a ação imediata. Mas a seriedade e complexidade da temática exige reflexão informada, estratégia concertada e cooperação estreita entre numerosos intervenientes institucionais.

Embora noutros países ocidentais já existam sólidas estratégias e políticas públicas de combate às EAI, em Portugal está praticamente tudo por fazer. Existem programas e instituições de apoio à infância, contudo há uma carência de consciencialização das razões reais de muitos dos problemas sociais. Esta consciência abrirá caminho às (lentas) mudanças socio culturais que se impõem, mas também a uma nova lógica na identificação precoce e na gestão dos recursos de que a sociedade dispõe.

Podemos encontrar em Portugal alguns estudos e pesquisas sobre a influência das EAI em alguns fenómenos. Infelizmente, ainda não existem estudos epidemiológicos que possam demonstrar a dimensão do problema de forma transversal e o seu impacto social.

Sabemos que as EAI existem e fazem parte do nosso quotidiano. Na falta de dados sobre a realidade portuguesa, socorremo-nos, para efeitos de estimativa, dos dados médios encontrados em outros países: a prevalência é de cerca de 60%, sendo que 16% são considerados casos graves. Também foi documentado que o fenómeno afeta todas as classes sociais, mas tem principal incidência sobre as classes economicamente mais desfavorecidas.

Os custos das EAI

Os custos reais são incalculáveis, mas um estudo publicado pela revista “The Lancet – Public Health” considerando apenas os custos financeiros e de saúde das EAI em 28 países europeus (no qual Portugal não foi considerado por inexistência de dados) foi calculado um valor médio de 2,6% do PIB, mas que varia entre 1,1% na Suécia e Turquia, a 6% na Ucrânia.

Com base nestas referências, considerando apenas os custos financeiros e na saúde, podemos calcular aproximadamente um custo anual de 6000 M€ considerando o valor médio, mas que poderá variar 2500 M€ e 13830 M€.

A crueza desses números não reflete os custos suportados por cada indivíduo, família e comunidade. Também ficam escondidos os custos económicos da diminuição de produtividade, da ação social e da justiça.

Consequências das EAI

As EAI podem ter efeitos negativos duradouros na saúde, bem-estar, bem como nas oportunidades de vida – como educação e potencial de emprego. Essas experiências podem aumentar os riscos de lesões, doenças, infecções sexualmente transmissíveis, problemas de saúde materno-infantil (incluindo gravidez na adolescência, complicações na gravidez e morte fetal), envolvimento em tráfico sexual, bem como uma ampla gama de doenças crónicas como cancro, diabetes, doenças cardíacas, depressão e suicídio.

As EAI e os determinantes sociais e de saúde associados, como viver em comunidades com poucos recursos ou segregados socialmente, mudar-se frequentemente e experimentar insegurança alimentar, podem causar stresse tóxico prolongado. O stresse tóxico das EAI pode afetar negativamente o desenvolvimento cerebral, o sistema imunológico e os sistemas de resposta ao stresse das crianças. Essas mudanças podem afetar a atenção, a tomada de decisões e a aprendizagem.

Crianças que crescem com stresse tóxico podem ter dificuldade em criar relacionamentos saudáveis ​​e estáveis. Podem também ter históricos de trabalho instáveis ​​​​quando adultos e lutar com problemas financeiros, empregos precários e depressão ao longo da vida. Estes efeitos têm uma elevada probabilidade de se perpetuar por gerações, criando um ciclo transgeracional.

Algumas crianças podem enfrentar maior exposição ao stresse tóxico de traumas históricos e contínuos devido ao racismo sistémico, vulnerabilidade social ou ao impacto da pobreza resultante de oportunidades educacionais e económicas limitadas.

 

Consequências das EAI no desenvolvimento da criança

Os estudos publicados e a literatura sugerem que as Experiências Adversas na Infância podem ter como principais consequências na criança:

  • desenvolvimento cerebral;
  • fragilidade do sistema imunológico;
  • sistemas de resposta ao stresse;
  • défice de atenção/hiperatividade;
  • pouca assertividade na tomada de decisões;
  • dificuldades de aprendizagem;
  • dificuldade em formar relacionamentos saudáveis, gratificantes e estáveis.

 

Consequências das EAI na vida adulta

Há cada vez mais evidências irrefutáveis de que as Experiências Adversas na Infância têm consequências que se prolongam por toda a vida, a vários níveis:

Saúde Física

  • Redução da esperança de vida em cerca de 20 anos;
  • Doenças crónicas (cancro, diabetes, doenças cardíacas, asma, artrite, enxaquecas, AVC).

Saúde Mental

  • Depressão, ansiedade (aumentado em 4 vezes);
  • déficit de atenção/hiperactividade;
  • transtornos afetivos como borderline e bipolar;
  • esquizofrenia;
  • risco de suicidio (aumentado em 12 vezes).

Pelo menos um terço de todas as patologias mentais podem estar relacionadas com as EAI.

Bem Estar

  • relacionamentos instáveis/abusivos;
  • gravidez precoce;
  • dificuldades de regulação emocional;
  • envolvimento em tráfico/exploração sexual;
  • obesidade.

Hábitos de Vida e Comportamento

  • Agressividade e violência;
  • estilo de vida pouco saudável;
  • consumo de álcool;
  • consumo de drogas;
  • tabagismo;
  • delinquência e criminalidade;
  • maior uso de medicamentos psicotrópicos.

Oportunidades de Vida

  • Problemas financeiros, como pobreza ou endividamento, entre outros;
  • Baixa produtividade e desempenho;
  • Dificuldades em prosseguir estudos, baixos níveis de escolaridade;
  • Dificuldades na obtenção e manutenção de emprego.

Fatores de Risco

Segundo o estudo publicado pela equipa liderada por Vincent Felitti, os principais fatores de risco podem ser divididos em 3 grandes grupos:

  • Abuso (físico, emocional ou sexual);
  • Negligência (física ou emocional);
  • Instabilidade doméstica (doença mental, encarceramento de familiar, violência doméstica, abuso de substâncias ou divórcio).

O organismo estatal norte americano CDC (Centers for Disease Control and Prevention), na sua página online, é bastante mais exaustivo na identificação dos fatores de risco, segmentando-os por várias categorias:

 

Fatores de Risco Individuais e Familiares

  • Famílias que enfrentam desafios de cuidado relacionados a crianças com necessidades especiais (por exemplo, deficiências, problemas de saúde mental, doenças físicas crónicas);
  • Crianças e jovens que não se sentem próximos dos seus pais/cuidadores e sentem que não podem falar com eles sobre seus sentimentos;
  • Jovens que começam a namorar cedo ou se envolvem em atividade sexual prematuramente;
  • Crianças e jovens com poucos ou nenhum amigo ou com amigos que se envolvem em comportamento agressivo e/ou delinquente;
  • Famílias com cuidadores que têm uma compreensão limitada das necessidades e/ou do desenvolvimento das crianças;
  • Famílias com cuidadores que foram abusados ​​ou negligenciados quando crianças;
  • Famílias com cuidadores jovens ou pais solteiros;
  • Famílias com baixos rendimentos;
  • Famílias com adultos com baixa escolaridade;
  • Famílias com altos níveis de stresse parental ou stresse económico;
  • Famílias com cuidadores que usam palmadas e outras formas de punição física para disciplina;
  • Famílias com disciplina inconsistente e/ou baixos níveis de monitorização e supervisão dos pais;
  • Famílias isoladas e não ligadas a outras pessoas (família alargada, amigos, vizinhos);
  • Famílias com alto conflito e estilos de comunicação negativos e/ou violentos;
  • Famílias com atitudes que aceitam ou justificam a violência ou agressão.

Fatores de Risco da Comunidade

  • Comunidades com altos índices de violência e criminalidade;
  • Comunidades com altas taxas de pobreza e oportunidades educacionais e económicas limitadas;
  • Comunidades com altas taxas de desemprego;
  • Comunidades com fácil acesso a drogas e álcool;
  • Comunidades onde os vizinhos não se conhecem ou cuidam uns dos outros e há baixo envolvimento da comunidade entre os moradores;
  • Comunidades com poucas atividades comunitárias para jovens;
  • Comunidades com habitação instável e onde os moradores se mudam com frequência;
  • Comunidades onde as famílias frequentemente experimentam insegurança alimentar;
  • Comunidades com altos níveis de desordem social e ambiental.

Fatores de Proteção

Fatores de Proteção Individual e Familiar

  • Famílias que criam relacionamentos seguros, estáveis ​​e estimulantes, ou seja, as crianças têm uma vida familiar consistente, onde estão seguras, cuidadas e apoiadas;
  • Crianças que têm amizades positivas e redes de pares;
  • Crianças com bom aproveitamento e integradas na escola;
  • Crianças que têm adultos atenciosos fora da família que servem como mentores/modelos;
  • Famílias onde os cuidadores podem atender às necessidades básicas de alimentação, abrigo e serviços de saúde pediátricos;
  • Famílias onde os cuidadores têm formação superior;
  • Famílias onde os cuidadores têm emprego estável;
  • Famílias com fortes redes de suporte social e relacionamentos positivos com as pessoas ao seu redor;
  • Famílias onde os cuidadores se envolvem na monitorização, supervisão e aplicação consistente das regras dos pais;
  • Famílias onde cuidadores/adultos lidam pacificamente com os conflitos;
  • Famílias onde os cuidadores ajudam as crianças a resolver problemas;
  • Famílias que se envolvem juntas em atividades divertidas e positivas;
  • Famílias que incentivam a importância da escola para as crianças.

Fatores de Proteção da Comunidade

  • Comunidades onde as famílias têm acesso a ajuda económica e financeira;
  • Comunidades onde as famílias têm acesso a cuidados médicos e serviços de saúde mental;
  • Comunidades com acesso a habitação segura e estável;
  • Comunidades onde as famílias têm acesso a cuidados infantis e seguros;
  • Comunidades onde as famílias têm acesso a pré-escola de alta qualidade;
  • Comunidades onde as famílias têm acesso a programas e atividades pós-escolares seguros e envolventes;
  • Comunidades onde os adultos têm oportunidades de trabalho com políticas favoráveis ​​à família;
  • Comunidades com fortes parcerias entre a comunidade e empresas, saúde, governo e outros setores;
  • Comunidades onde os moradores se sentem conectados uns aos outros e estão envolvidos na comunidade;
  • Comunidades onde a violência não é tolerada ou aceite.

 

As EAI não têm uma causa única e podem assumir várias formas diferentes. Muitos fatores contribuem para as EAI, incluindo traços e experiências pessoais, pais, ambiente familiar e a própria comunidade. Para prevenir as EAI e proteger as crianças de negligência, abuso e violência, é essencial abordar cada um desses fatores.

Estratégias de Prevenção

Para a abordagem das estratégias de prevenção, socorremo-nos uma vez mais, da informação disponibilizada pelo CDC.

“As experiências adversas na infância (EAI) podem ter efeitos negativos duradouros na saúde, bem-estar e oportunidades. As EAI e os danos associados são evitáveis. Criar e manter relacionamentos e ambientes seguros, estáveis ​​e estimulantes para todas as crianças e famílias pode prevenir as EAI e ajudar todas as crianças a alcançar o seu pleno potencial de saúde e de vida”.

Diferentes tipos de violência estão inter relacionados e muitas vezes partilham as mesmas causas. As EAI estão ligadas a outras formas de violência pelos fatores de risco e proteção partilhados. Para prevenir as EAI, devemos entender e abordar esses fatores de risco e proteção.

O CDC produziu um recurso, Prevenção de Experiências Adversas na Infância (ACEs): Aproveitando as Melhores Evidências Disponíveis, para ajudar estados e comunidades a aproveitar as melhores evidências disponíveis para prevenir as EAI. Apresenta seis estratégias dos Pacotes Técnicos do CDC para Prevenir a Violência. As estratégias e suas abordagens correspondentes estão listadas na tabela abaixo.”

 

Estratégia

Abordagem

Reforçar os apoios económicos às famílias
  • Fortalecimento da segurança financeira das famílias
  • Políticas de trabalho para a família
Promover normas sociais que protejam contra a violência e a adversidade
  • Campanhas de educação pública
  • Abordagens legislativas para reduzir o castigo corporal
  • Abordagens das testemunhas de EAI
  • Adultos e Crianças como aliados na prevenção
Garantir às crianças um começo de vida sólido
  • Visita domiciliaria na primeira infância
  • Cuidados infantis de alta qualidade
  • Enriquecimento pré-escolar com envolvimento da família
Ensinar habilidades
  • Aprendizagem socioemocional
  • Programas de habilidades de namoro seguro e relacionamento saudável
  • Habilidades parentais e abordagens de relacionamento familiar
Estimular o relacionamento e atividades entre jovens e adultos atenciosos
  • Programas de mentoria
  • Programas extra curriculares
Intervir para diminuir os danos imediatos e de longo prazo
  • Atenção primária aprimorada
  • Serviços centrados na vítima
  • Tratamento para diminuir os danos das EAI
  • Tratamento para prevenir comportamento problemático e envolvimento futuro em violência
  • Tratamento centrado na família para transtornos por uso de substâncias

 

Estratégias de Intervenção

As informações contidas no ponto anterior permitem-nos identificar pistas consistentes para a criação de uma estratégia adaptada à realidade do nosso país. É importante salientar que a maioria das abordagens e respostas sugeridas já existem, de alguma forma, na sociedade portuguesa.

Acreditamos que uma abordagem mais centrada nas EAI como causa principal dos problemas nos trará melhores resultados na mitigação das consequências.

Deste modo, torna-se evidente a necessidade de aproveitar o potencial que a abordagem centrada na causa poderá ter na reorganização das respostas sociais disponibilizadas em Portugal, nomeadamente pela ação do Instituto da Segurança Social e do Ministério da Educação.

 

Programas e Respostas Sociais

A lista abaixo representa o conjunto de respostas sociais já identificadas que poderão ser desenvolvidas sob a perspectiva das Experiências Adversas na Infância e que poderão eventualmente beneficiar desta abordagem sistémica e integrada.

 

Este é talvez o maior desafio da Missão Pertinente a médio e longo prazo: desenvolver um novo modelo de gestão e da aplicação das respostas sociais, potenciando os resultados com base nas sinergias entre os diferentes programas e as numerosas entidades que os aplicam, envolvendo toda a comunidade.

Naturalmente que este desafio exige uma estreita cooperação interinstitucional com numerosas entidades de diferentes patamares e âmbitos de ação. Propomo-nos criar uma equipa científica para coordenar esses esforços, numa perspectiva de investigação-ação, que nos permita identificar e aplicar oportunidades de otimização dos processos já existentes, sem deturpar ou transfigurar os programas e as estratégias já disponíveis.

Este modelo será aplicado diretamente nas respostas que venhamos a desenvolver, mas contará necessariamente com o acompanhamento próximo de vários profissionais e parceiros de outras instituições, com o objetivo de criar um modelo de “missão ação” que possa ser replicado em diferentes contextos.

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Recursos Chave da Missão Pertinente

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● Meios financeiros para os investimentos iniciais (espaço, equipamentos etc)
● Espaço para alojar as equipas técnicas e de investigação
● Espaços de atendimento e para dinamização de atividades
● Plataformas de cooperação (fóruns online) interpessoais, interprofissionais e interinstitucionais
● Rede de parcerias
● Técnicos especializados

Recursos Chave da Missão Pertinente Consulte Mais informação "

Propostas de Valor da Missão Pertinente

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● Sensibilização de toda a sociedade nacional para as experiências adversas na infância (EAI)
● Criação de estratégias e modelos de prevenção e de intervenção
● Criação de plataformas de colaboração e cooperação interpessoal, interprofissional e interinstitucional
● Mitigação dos fatores de risco
● Estimulação dos fatores de proteção
● Apoio multidisciplinar a vítimas de EAI e de violência (crianças, jovens e adultos)
● Apoio e acompanhamento das famílias, sobretudo as que se encontram em situação de risco
● Formação de profissionais (saúde, educação, social, justiça e intervenção comunitária)
● Formação de pais para a parentalidade positiva
● Promoção do desenvolvimento, inovação e investigação (epidemiologia, diagnóstico, modelos de prevenção e de intervenção, abordagens sociais e/ou terapêuticas etc )

Propostas de Valor da Missão Pertinente Consulte Mais informação "

Programas e Respostas Sociais

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A Missão Pertinente pretende desenvolver as suas próprias respostas sociais. A lista abaixo representa o conjunto de respostas sociais já identificadas que poderão ser desenvolvidas sob a perspetiva das Experiências Adversas na Infância e que poderão eventualmente beneficiar desta abordagem sistémica e integrada.

Este é talvez o maior desafio da Missão Pertinente a médio e longo prazo: desenvolver um novo modelo de gestão e da aplicação das respostas sociais, potenciando os resultados com base nas sinergias efetivas entre os diferentes programas e as numerosas entidades que os aplicam, envolvendo toda a comunidade.

Naturalmente que este desafio exige uma estreita cooperação interinstitucional com numerosas entidades de diferentes patamares e âmbitos de ação. Propomo-nos criar uma equipa científica para coordenar esses esforços, numa perspetiva de investigação-ação, que nos permita identificar e aplicar oportunidades de otimização dos processos já existentes, sem deturpar ou transfigurar os programas e as estratégias já disponíveis.

Este modelo será aplicado diretamente nas respostas que venhamos a desenvolver, mas contará necessariamente com o acompanhamento próximo de vários profissionais e parceiros de outras instituições, com o objetivo de criar um modelo de “missão ação” que possa ser replicado em diferentes contextos, otimizando a gestão de recursos e maximizando os resultados.

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Fatores de Risco das Experiências Adversas na Infância

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Segundo o estudo publicado pela equipa liderada por Vincent Felitti, os principais fatores de risco podem ser divididos em 3 grandes grupos:
➔ Abuso (físico, emocional ou sexual)
➔ Negligência (física ou emocional)
➔ Instabilidade doméstica (doença mental, encarceramento de familiar, violência doméstica, abuso de substâncias ou divórcio)

O organismo estatal norte americano CDC (Centers for Disease Control and Prevention), na sua página online , é bastante mais exaustivo na identificação dos fatores de risco, segmentando-os por várias categorias:

Fatores de Risco Individuais e Familiares

Famílias que enfrentam desafios de cuidado relacionados a crianças com necessidades especiais (por exemplo, deficiências, problemas de saúde mental, doenças físicas crónicas);
Crianças e jovens que não se sentem próximos dos seus pais/cuidadores e sentem que não podem falar com eles sobre seus sentimentos;
Jovens que começam a namorar cedo ou se envolvem em atividade sexual prematuramente;
Crianças e jovens com poucos ou nenhum amigo ou com amigos que se envolvem em comportamento agressivo e/ou delinquente;
Famílias com cuidadores que têm uma compreensão limitada das necessidades e/ou do desenvolvimento das crianças;
Famílias com cuidadores que foram abusados ou negligenciados quando crianças;
Famílias com cuidadores jovens ou pais solteiros;
Famílias com baixos rendimentos;
Famílias com adultos com baixa escolaridade;
Famílias com altos níveis de stresse parental ou stresse económico;
Famílias com cuidadores que usam palmadas e outras formas de punição física para disciplina;
Famílias com disciplina inconsistente e/ou baixos níveis de monitorização e supervisão dos pais;
Famílias isoladas e não ligadas a outras pessoas (família alargada, amigos, vizinhos);
Famílias com alto conflito e estilos de comunicação negativos e/ou violentos;
Famílias com atitudes que aceitam ou justificam a violência ou agressão.

Fatores de Risco da Comunidade

Comunidades com altos índices de violência e criminalidade;
Comunidades com altas taxas de pobreza e oportunidades educacionais e económicas limitadas;
Comunidades com altas taxas de desemprego;
Comunidades com fácil acesso a drogas e álcool;
Comunidades onde os vizinhos não se conhecem ou cuidam uns dos outros e há baixo envolvimento da comunidade entre os moradores;
Comunidades com poucas atividades comunitárias para jovens;
Comunidades com habitação instável e onde os moradores se mudam com frequência;
Comunidades onde as famílias frequentemente experimentam insegurança alimentar;
Comunidades com altos níveis de desordem social e ambiental.

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Fatores de Proteção das Experiências Adversas na Infância

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Fatores de Proteção Individual e Familiar

  • Famílias que criam relacionamentos seguros, estáveis ​​e estimulantes, ou seja, as crianças têm uma vida familiar consistente, onde estão seguras, cuidadas e apoiadas;
  • Crianças que têm amizades positivas e redes de pares;
  • Crianças com bom aproveitamento e integradas na escola;
  • Crianças que têm adultos atenciosos fora da família que servem como mentores/modelos;
  • Famílias onde os cuidadores podem atender às necessidades básicas de alimentação, abrigo e serviços de saúde pediátricos;
  • Famílias onde os cuidadores têm formação superior;
  • Famílias onde os cuidadores têm emprego estável;
  • Famílias com fortes redes de suporte social e relacionamentos positivos com as pessoas ao seu redor;
  • Famílias onde os cuidadores se envolvem na monitorização, supervisão e aplicação consistente das regras dos pais;
  • Famílias onde cuidadores/adultos lidam pacificamente com os conflitos;
  • Famílias onde os cuidadores ajudam as crianças a resolver problemas;
  • Famílias que se envolvem juntas em atividades divertidas e positivas;
  • Famílias que incentivam a importância da escola para as crianças.

Fatores de Proteção da Comunidade

  • Comunidades onde as famílias têm acesso a ajuda económica e financeira;
  • Comunidades onde as famílias têm acesso a cuidados médicos e serviços de saúde mental;
  • Comunidades com acesso a habitação segura e estável;
  • Comunidades onde as famílias têm acesso a cuidados infantis e seguros;
  • Comunidades onde as famílias têm acesso a pré-escola de alta qualidade;
  • Comunidades onde as famílias têm acesso a programas e atividades pós-escolares seguros e envolventes;
  • Comunidades onde os adultos têm oportunidades de trabalho com políticas favoráveis ​​à família;
  • Comunidades com fortes parcerias entre a comunidade e empresas, saúde, governo e outros setores;
  • Comunidades onde os moradores se sentem conectados uns aos outros e estão envolvidos na comunidade;
  • Comunidades onde a violência não é tolerada ou aceite.

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Estratégias de Prevenção das Experiências Adversas na Infância

\"\"Para a abordagem das estratégias de prevenção, socorremo-nos uma vez mais, da informação disponibilizada pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention).
“As Experiências Adversas na Infância (EAI) podem ter efeitos negativos duradouros na saúde, bem-estar e oportunidades. As EAI e os danos associados são evitáveis. Criar e manter relacionamentos e ambientes seguros, estáveis ​​e estimulantes para todas as crianças e famílias pode prevenir as EAI e ajudar todas as crianças a alcançar o seu pleno potencial de saúde e de vida.

Diferentes tipos de violência estão inter relacionados e muitas vezes partilham as mesmas causas. As EAI estão ligadas a outras formas de violência pelos fatores de risco e proteção partilhados. Para prevenir as EAI, devemos entender e abordar esses fatores de risco e proteção.

O CDC produziu um recurso, Prevenção de Experiências Adversas na Infância (ACEs): Aproveitando as Melhores Evidências Disponíveis, para ajudar estados e comunidades a aproveitar as melhores evidências disponíveis para prevenir as EAI. Apresenta seis estratégias dos Pacotes Técnicos do CDC para Prevenir a Violência. As estratégias e suas abordagens correspondentes estão listadas na tabela abaixo.

 

Estratégia

Abordagem

Reforçar os apoios económicos às famílias
  • Fortalecimento da segurança financeira das famílias
  • Políticas de trabalho para a família
Promover normas sociais que protejam contra a violência e a adversidade
  • Campanhas de educação pública
  • Abordagens legislativas para reduzir o castigo corporal
  • Abordagens das testemunhas de EAI
  • Adultos e Crianças como aliados na prevenção
Garantir às crianças um começo de vida sólido
  • Visita domiciliar na primeira infância
  • Cuidados infantis de alta qualidade
  • Enriquecimento pré-escolar com envolvimento da família
Ensinar habilidades
  • Aprendizagem socioemocional
  • Programas de habilidades de namoro seguro e relacionamento saudável
  • Habilidades parentais e abordagens de relacionamento familiar
Estimular o relacionamento e atividades entre jovens e adultos atenciosos
  • Programas de mentoria
  • Programas extra curriculares
Intervir para diminuir os danos imediatos e de longo prazo
  • Atenção primária aprimorada
  • Serviços centrados na vítima
  • Tratamento para diminuir os danos das EAI
  • Tratamento para prevenir comportamento problemático e envolvimento futuro em violência
  • Tratamento centrado na família para transtornos por uso de substâncias

 

 

Estratégias de Intervenção

As informações contidas nas estratégias de prevenção permitem-nos identificar pistas consistentes para a criação de uma estratégia adaptada à realidade do nosso país. É importante salientar que a maioria das abordagens e respostas sugeridas já existem, de alguma forma, na sociedade portuguesa.

Acreditamos que uma abordagem mais centrada nas experiências adversas na infância (EAI) como causa principal dos problemas nos trará melhores resultados na mitigação das consequências.

Deste modo, torna-se evidente a necessidade de aproveitar o potencial que a abordagem centrada na causa poderá ter na reorganização das respostas sociais disponibilizadas em Portugal, nomeadamente pela ação do Instituto da Segurança Social e do Ministério da Educação.

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As Consequências das Experiências Adversas na Infância

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As Experiências Adversas na Infância (EAI) podem ter efeitos negativos duradouros na saúde, bem-estar, bem como nas oportunidades de vida – como educação e potencial de emprego. Essas experiências podem aumentar os riscos de lesões, doenças, infeções sexualmente transmissíveis, problemas de saúde materno-infantil (incluindo gravidez na adolescência, complicações na gravidez e morte fetal), envolvimento em tráfico sexual e uma ampla gama de doenças crónicas entre as principais causas de morte, como cancro, diabetes, doenças cardíacas, depressão e suicídio.

As EAI e os determinantes sociais e de saúde associados, como viver em comunidades com poucos recursos ou segregados socialmente, mudar-se frequentemente e experimentar insegurança alimentar, podem causar stresse tóxico (prolongado). O stresse tóxico das EAI pode afetar negativamente o desenvolvimento cerebral, o sistema imunológico e os sistemas de resposta ao stresse das crianças. Essas mudanças podem afetar a atenção, a tomada de decisões e a aprendizagem.

Crianças que crescem com stresse tóxico podem ter dificuldade em formar relacionamentos saudáveis, gratificantes ​​e estáveis. Elas também podem ter históricos de trabalho instáveis ​​​​quando adultos e lutar com problemas financeiros, empregos pouco estáveis e depressão ao longo da vida. Esses efeitos também podem ser passados ​​para os seus próprios filhos, criando um ciclo transgeracional.

Algumas crianças podem enfrentar mais exposição ao stresse tóxico de traumas históricos e contínuos devido ao racismo sistémico, vulnerabilidade social ou aos impactos da pobreza resultantes de oportunidades educacionais e económicas limitadas.

As consequências das EAI na infância podem ser bastante graves para o desenvolvimento da criança, mas estes problemas tendem a evoluir ao longo da vida adulta.

 

Consequências das Experiências Adversas na Infância no Desenvolvimento da Criança

Os estudos publicados e a literatura sugerem que as experiências adversas na infância podem ter consequências na criança a vários níveis:

  • desenvolvimento cerebral;
  • fragilidade do sistema imunológico;
  • sistemas de resposta ao stresse;
  • défice de atenção/hiperatividade;
  • pouca assertividade na tomada de decisões;
  • dificuldades de aprendizagem;
  • dificuldade em formar relacionamentos saudáveis e estáveis.

As Experiências Adversas na Infância podem ter efeitos negativos duradouros na saúde, bem-estar, bem como nas oportunidades de vida – como educação e potencial de emprego. Essas experiências podem aumentar os riscos de lesões, doenças infeções sexualmente transmissíveis, problemas de saúde materno-infantil (incluindo gravidez na adolescência, complicações na gravidez e morte fetal), envolvimento em tráfico sexual e uma ampla gama de doenças crónicas entre as principais causas de morte, como cancro, diabetes, doenças cardíacas, depressão e suicídio.

Conjuntamente com determinantes sociais e de saúde, como viver em comunidades com poucos recursos ou segregados socialmente, mudar-se frequentemente e experimentar insegurança alimentar, podem causar stresse tóxico prolongado. O stresse tóxico das EAI pode afetar negativamente o desenvolvimento cerebral, o sistema imunológico e os sistemas de resposta ao stresse das crianças. Essas mudanças podem afetar a atenção, a tomada de decisões e a aprendizagem.

Crianças que crescem com stresse tóxico podem ter dificuldade em formar relacionamentos saudáveis ​​e estáveis. Elas também podem ter históricos de trabalho instáveis ​​​​quando adultos e lutar com problemas financeiros, empregos pouco estáveis e depressão ao longo da vida. Esses efeitos também podem ser passados ​​para os seus próprios filhos, criando um ciclo transgeracional.

Algumas crianças podem enfrentar mais exposição ao stresse tóxico de traumas históricos e contínuos devido ao racismo sistémico, vulnerabilidade social ou aos impactos da pobreza resultantes de oportunidades educacionais e económicas limitadas.

Mas as experiências adversas na infância também podem ter muitas consequências na vida adulta.

Consequências das Experiências Adversas da Infância na Vida Adulta

Há cada vez mais evidências irrefutáveis de que as Experiências Adversas na Infância têm consequências que se prolongam por toda a vida, a vários níveis:

Saúde Física

  • Redução da esperança de vida em cerca de 20 anos;
  • Doenças crónicas (cancro, diabetes, doenças cardíacas, asma, artrite, enxaquecas, AVC).

Saúde mental

  • Depressão, ansiedade (aumentado em 4 vezes);
  • déficit de atenção/hiperactividade;
  • transtornos afetivos como borderline e bipolar;
  • esquizofrenia;
  • risco de suicídio (aumentado em 12 vezes).

Pelo menos um terço de todas as patologias mentais podem estar relacionadas com as EAI.

Bem Estar

  • relacionamentos instáveis/abusivos;
  • gravidez precoce;
  • dificuldades de regulação emocional;
  • envolvimento em tráfico/exploração sexual;
  • obesidade.

Hábitos de Vida e Comportamento

  • Agressividade e violência;
  • estilo de vida pouco saudável;
  • consumo de álcool;
  • consumo de drogas;
  • tabagismo;
  • delinquência e criminalidade;
  • maior uso de medicamentos psicotrópicos.

 Oportunidades de Vida

  • Problemas financeiros (pobreza, endividamento, etc.);
  • Baixa produtividade e desempenho;
  • Dificuldades em prosseguir estudos, baixos níveis de escolaridade;
  • Dificuldades na obtenção e manutenção de emprego.

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